(Fotomontagem by Andréa Veiga. Recursos: Canvas.com e PowerPoint)

Na sequência das propostas de atividades apresentadas na Unidade Curricular (UC) Educação e Sociedade em Rede, selecionamos três vídeos para a construção de suas respectivas recensões críticas.

(Fotomontagem by Andréa Veiga. Recursos: Canvas.com e PowerPoint)

Os vídeos selecionados apresentam temáticas relacionadas à variedade de recursos e inovações tecnológicas com potencial de uso para fins didáticos, suscitando reflexões acerca dos desdobramentos dessa utilização, considerando suas implicações e a função social da educação.

As ideias contidas nos referidos vídeos propiciam a ampliação de debates quanto a temas polêmicos que, historicamente, confrontam perspectivas tradicionais e inovadoras de ensino, considerando o emprego de tecnologias como interfaces educacionais, bem como os reflexos e impactos dessa utilização no comportamento e desempenho intelectual, na empregabilidade e no acesso ao mercado de trabalho (atual e futuro).

Dessa forma, com o propósito de compartilhar as análises produzidas e fomentar a reflexão acerca das temáticas abordadas, este post apresenta dois momentos de partilha.

O primeiro (“Recensões Críticas: Perspectivas e Reflexões”), dedicado ao compartilhamento das recensões críticas dos vídeos selecionados, e o segundo (“Reflexão Multifacetada: um olhar sob várias perspectivas”), direcionado à uma proposta de reflexão multifacetada, a partir dos questionamentos mais relevantes suscitados nas temáticas centrais das obras selecionadas.

Recensões Críticas: Perspectivas e Reflexões

A elaboração das recensões críticas dos vídeos ora selecionados, foi desenvolvida em uma atividade de grupo, definida no âmbito da UC – Educação Sociedade em Rede, cujo resultado pode ser consultado a seguir:

1º Vídeo: Web 2.0 … The Machine is Us/ing Us (Hi-Res)

“Em uma dinâmica visual muito própria e criativa, o vídeo Web 2.0 … The Machine is Us/ing Us (Hi-Res) ilustra a mudança ocorrida na Internet com a chegada da Web 2.0.”

(Acesse abaixo a Recensão Crítica na íntegra)
Fig. by Andréa Veiga. Recursos: PowerPoint

2º Vídeo: Education 4.0 | Jisc | Transforming the future of education (through advanced technology)

“O vídeo Education 4.0 | Jisc | Transforming the future of education (through advanced technology) traz como proposta central apresentar a Educação 4.0 como uma resposta à crescente necessidade de adaptar os métodos tradicionais de ensino às exigências do mundo moderno e às novas formas de aprendizagem que emergem com o desenvolvimento tecnológico.”

(Acesse abaixo a Recensão Crítica na íntegra)
Fig. by Andréa Veiga. Recursos: PowerPoint

3º Vídeo: AI and Future of Education (Full Documentary)

“O documentário explora os impactos da inteligência artificial (IA) na educação contemporânea e futura, com destaques pontuais no tocante as oportunidades e os desafios que emergem da integração de novas tecnologias no sistema educacional tradicional.”

(Acesse abaixo a Recensão Crítica na íntegra)
Fig. by Andréa Veiga. Recursos: PowerPoint

Reflexão Multifacetada: um olhar sob várias perspectivas

Logo animado by Andréa Veiga: Recurso: Canvas.com

Após a avaliação dos vídeos selecionados e da decorrente construção de suas respectivas recensões críticas, cabe agora uma análise pessoal sobre as temáticas abordadas nos vídeos.

Dessa forma, serão apresentados alguns aspectos suscitados nas mensagens ora vinculadas aos vídeos analisados, que de certa forma merecem uma reflexão mais ampliada.

Nesse sentido, esses aspectos serão abordados, para além dos argumentos fornecidos em suas respectivas abordagens, levando-se em conta a necessidade de repensar o uso das tecnologias como interface no processo de ensino aprendizagem, conservando como diretriz a função social da Educação, considerando-a como um bem comum que deve ser inclusivo e servir “de fato” a toda a humanidade.

Sendo assim, cabe o desafio da reflexão em relação aos seguintes aspectos que ainda cabem aprofundamento nos vídeos apresentados:

Vídeo: Web 2.0 … The Machine is Us/ing Us (Hi-Res).
  • I) Ética e Articulação de Informações na Rede
Vídeos: Education 4.0 | Jisc | Transforming the future of education (through advanced technology) e AI and Future of Education (Full Documentary)
  • II) Educação Tradicional x Educação Inovadora;
  • III) Transformação do Mercado de Trabalho e a Interação Homem x Máquina;
  • IV) Educação como bem comum.

I) Ética e Articulação de Informação na Rede

No tocante a esse aspecto, os diversos recursos tecnológicos disponíveis na Rede criam uma dinâmica de comunicação ao mesmo tempo simples e complexa.

Simples, pois dispõe de ferramentas e técnicas de construção intuitivas e facilitadas pela própria evolução tecnológica; e complexa, no tocante à regulação, preservação de direitos, governança, privacidade, segurança, proteção de dados e valores éticos.

Fotomontagem by Andréa Veiga. Recursos: Freepik.com e PowerPoint

Um Estudo de Caso:

Para ilustrar alguns dos impactos dessa dinâmica de interação promovida e construída diariamente na rede, imagine, que um funcionário de uma agência pública qualquer, que lida diariamente com dados pessoais de milhares de contribuintes, seja solicitado em seu trabalho para fazer uma compilação de informações que requer consolidação de informações de diversos documentos.

Esse mesmo funcionário decide utilizar recursos de AI e de hipertexto para elaborar um relatório, consolidando as informações demandadas e acaba alimentando o recurso da AI com os dados de clientes e usuários. Após ajustes nos dados compilados pela AI, o funcionário divulga internamente o relatório, construído a partir de links de arquivos do banco de dados da própria agência, cujo acesso foi desbloqueado para permitir o conhecimento dos dados aos integrantes do setor, bem como apresentação do Relatório para o Departamento solicitante.

Perceba que, ao alimentar a Inteligência Artificial com dados privados dos clientes e usuários da agência, o Funcionário tornou público todas as informações inseridas na AI. Da mesma forma, quando utilizou-se dos recursos de hiperlink para dinamizar a visualização e a composição de vários dados, ele também desbloqueou o acesso aos arquivos do banco de dados da própria Agência, aumentando a sua vulnerabilidade.

Tudo isso, pode não ser uma mera hipótese… Dessa forma, não seria razoável imaginar que essa situação, em contextos semelhantes possa de fato acontecer?

Por esse motivo, tanto a regulação, bem como a mudança comportamental dos usuários deve priorizar em maior grau a segurança, a privacidade, a ética e a governança de dados.

Cabe destacar que o exemplo apresentado, foi imaginado em um ambiente controlado, onde supostamente, em uma Instituição pública ou até mesmo privada, já exista a preocupação e a obrigatoriedade de procedimentos e políticas internas de governança de dados e de segurança das informações.

Agora, imagine as diversas ocorrências e possibilidades de riscos em um espaço amostral mais amplo e multiplicado pelos bilhões de usuários que ora consultam, ora produzem conteúdo na rede…

Infelizmente, são valores e prejuízos incalculáveis em direitos autorais não referenciados, obras reproduzidas e copiadas ilegalmente, reputações maculadas e opiniões manipuladas por fake news e algoritmos, golpes financeiros e roubo de dados.

Vamos pensar sob uma perspectiva educativa?…

Seria possível pensar em conteúdos didáticos apropriados para a construção de uma consciência cibernética, desde os bancos escolares até a vida adulta?

Em virtude das constantes transformações e inovações tecnológicas, seria interessante viabilizar programas de educação continuada para o fomento e construção de uma mentalidade cibernética de segurança?

Seria a competência informacional um dos vetores de transformação qualitativa das relações e interconexões da sociedade em rede para o futuro?

II – Educação Tradicional X Educação Inovadora

No contexto das abordagens realizadas nos vídeos selecionados é possível perceber o forte apelo dos recursos tecnológicos como interface educacional, bem como o discurso otimista frente ao uso de tecnologias para o alcance de uma educação pensada para o “Futuro” sob uma perspectiva de vanguarda.

No entanto, devemos refletir sobre o uso dessas tecnologias (Inteligências Artificiais, Realidade Aumentada, Simuladores etc.) na construção do processo de ensino aprendizagem de forma contextualizada, levando em conta processos que sejam viáveis nas diversas realidades e objetivos de ensino.

A partir desse enfoque, é essencial não perder de vista o verdadeiro propósito educativo, onde a tecnologia não pode ser encarada como um fim em si mesma, mas um recurso para desenvolver potenciais e ideias.

Revisitando a história: O Efeito Sputinik na Educação

O confronto entre a educação tradicional e a educação considerada inovadora pelo uso de tecnológicas é histórico e razão de debates até os dias atuais. Pois a quem defenda ou critique as duas tendências de educação.

Nesse contexto de confronto de tendências educacionais, o histórico processo da corrida espacial, protagonizado pelos Estados Unidos e pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – URSS (antiga União Soviética), durante o período da Guerra Fria, teve no lançamento do satélite russo “Sputinik”, em 4 de outubro de 1957, um marco histórico que desencadeou debates e reflexões sobre mudanças em diversas áreas de conhecimento, com destaque para: tecnologia, indústria, ciência, segurança nacional e educação, caracterizando o que ficou conhecido como “Efeito Sputinik”.

Nos EUA, o “Efeito Sputinik” causou uma verdadeira crise na confiança americana, no que dizia respeito a sua tecnologia, valores, política, educação e segurança nacional. Justo um país acostumado a ser o número 1, sempre confiante e otimista em suas projeções para o futuro, considerando seus investimentos tecnológicos e desenvolvimento em franca expansão na indústria e na ciência.

Com o lançamento do Sputinik a corrida espacial concentrou os olhares do mundo. Nesse cenário histórico a União Soviética, um país com uma grande população rural, predominantemente agrícola, atingira o estatus de potencial industrial, com uma educação tradicional e conservadora, saindo na frente e colocando em xeque a supremacia americana.

O Presidente dos EUA à época, Eisenhower, fez uma série de discursos inflamados sobre o assunto, apoiando-se em relatórios sobre  a educação   aplicada na   União   Soviética   em   comparação com a educação americana. Em um desses discursos, “Reassurance Speech”, realizado em 13 de novembro de 1957 , dirigiu-se à administração das escolas americanas, em cadeia nacional, destacando a educação como uma vertente da segurança nacional americana:

“Examinem o currículo e os padrões da sua escola. Em seguida, decidam por si mesmos se eles atendem às severas demandas da era em que estamos entrando. Enquanto vocês fazem isso, meus amigos, lembrem-se de que quando um russo se forma no ensino médio, ele tem cinco anos de física, quatro anos de química, um ano de astronomia, cinco anos de biologia, dez anos de matemática por meio de trigonometria e cinco anos de língua estrangeira.”

(Presidente dos EUA – Dwight D. Eisenhower: “Reassurance Speech”, proferido em 13 de novembro de 1957)

Rivalidades e comparações à parte, o fato é que o Efeito Sputnik trouxe à tona a necessidade de se repensar a educação e buscar o equilíbrio entre práticas tradicionais e construtivistas emergentes à época. A abordagem tradicional de certa maneira garantiu a formação de conhecimentos fundamentais para enfrentar desafios imediatos, enquanto a educação construtivista que emergia como uma proposta educativa de vanguarda e aberta às tecnologias, respondeu à demanda por inovação e pensamento crítico no longo prazo ( Ravitch, 2000). Os dois modelos de Educação, sob o impacto desse evento histórico, influênciaram a construção dos sistemas educacionais que conhecemos hoje, e que ainda buscam o equilíbrio entre a prática e a teoria, o conhecimento tecnicista e as habilidades adaptativas.

Nesse sentido, diante dos impasses observados entre a educação tradicional e inovadora/tecnológica, o que importa saber é que a história já nos mostrou que não há um único caminho para alcançarmos os objetivos pretendidos.

A utilização de cada metodologia, assim como a combinação entre elas, incluindo técnicas de ensino e recursos tecnológicos devem ser pensados a partir do propósito educacional que se deseja alcançar.

Na verdade o que importa é como você utiliza esses recursos no desenvolvimento da aprendizagem e como você planeja, avalia e realimenta o processo de ensino com os resultados alcançados.

Tratando-se de Educação para o Futuro, simulações, gamificação, AI, realidade aumentada ou qualquer outro recurso tecnológico é bem vindo e necessário para caminharmos em direção as transformações do mundo contemporâneo, bem como nos prepararmos para a realidade que nos aguarda em um futuro próximo (Bates, 2015). No entanto, somente a implementação de inovações tecnológicas não garantem necessariamente o alcance de resultados e a evolução de desempenho, sem que se desenvolva paralelamente competências técnicas, fundamentos teóricos e as múltiplas inteligências humanas, considerando o indivíduo como um ser único e complexo.

Avançando um pouco mais, no período histórico pós-Sputinik, em meados dos anos 80, uma produção cinematográfica revive a rivalidade entre EUA e URSS. Embora o filme não faça referência explícita ao Sputnik, ele captura o espírito da Guerra Fria e a oposição ideológica entre os EUA e a URSS. A obra utiliza o esporte como uma metáfora para as tensões políticas e culturais da época, alinhando-se à narrativa mais ampla da competição entre as duas superpotências.

Analisando o contexto do filme, identifica-se que, inversamente ao que ocorreu ao lançamento do Sputinik, quem surpreende ameaçando a hegemonia soviética era os EUA, na figura do protagonista. O lado que trazia a proposta de treinamento baseado em métodos e valores tradicionais era a parte americana, representada pelo lutador Rocky Balboa (Sylvester Stallone) em oposição aos investimentos em recursos tecnológicos da proposta defendida pelo lutador soviético, Ivan Drago (Dolph Lundgren).

Veja abaixo trecho do filme que retrata metaforicamente esse antagonismo:

Fonte: YouTube – Canal MovieClips: Rocky IV (6/12) Movie CLIP – Reaching the Summit (1985) HD

Vamos pensar sob uma perspectiva educativa?…

Seria possível alcançar o equilíbrio entre as propostas educativas, metodologias e recursos tecnológicos para a construção de uma Educação para o Futuro?

Pensando nas realidades dos sistemas educacionais e nas condições sociais dos diferentes continentes no mundo, qual seria o papel das Redes para a adaptação e transformação dos sistemas de ensino que conhecemos e do qual fazemos parte?

Ao possibilitar o acesso à informação, ao conhecimento e a recursos tecnológicos, agregando experiências diversas e o compartilhamento de resultados alcançados, seria a Educação Aberta um vetor de transformação, adaptação e uma alternativa viável para a verdadeira construção de uma educação “aberta”, flexível e adaptativa para o futuro?

III – Transformações do Mercado de Trabalho e Interação Homem x Máquina

Nesse movimento de repensar os métodos e recursos para um ensino que projete a Educação para o Futuro, surge a necessidade do desenvolvimento de competências e habilidades para esse “Futuro” que se descortina, considerando os efeitos que o próprio uso das inovações tecnológicas podem causar no mercado de trabalho e no desempenho dos jovens na vida laboral.

Robotização: Impactos do uso de AI no descarte de mão de obra humana

A substituição do fator humano já é uma realidade em muitas profissões. Das ocupações mais simples para as mais complexas e até mesmo `quelas quase artesanais, já existem AI, sistemas informatizados ou Robôs para executar as tarefas que antes eram realizadas por seres humanos.

Alguns exemplos ilustram essa crescente tendência. Veja as reportagens nas fontes indicadas abaixo:

Essa tendência, impulsionada pelo avanço tecnológico e interesses financeiros, não parece estar alinhada a fins sociais ou de sustentabilidade do planeta, muito embora o marketing em torno dessas iniciativas mencionem tal preocupação.

No entanto, não podemos ignorar que o ser humano precisa socializar e interagir, para a manutenção e a evolução de sua própria espécie, e isso não é uma questão de opinião, é um fato.

Especificamente, no âmbito da educação, o processo de formação dos indivíduos ficaria comprometido com o eminente risco de desumanização do ensino e da aprendizagem, com a total substituição do professor por Robôs ou qualquer outro tipo de AI, indo na contramão da função social da educação, percebida e construída a partir de vivências, experiências e interações sociais.

Reitera-se, por tanto, o valor da contribuição do papel do professor para a Educação do Futuro e a importância de sua formação estar integrada às inovações tecnológicas afim de oportunizar o uso didático de recursos inovadores como estratégias didáticas no desenvolvimento do processo ensino aprendizagem.

Observa-se ainda que, as transformações dos recursos tecnológicos de Comunicação, ao mesmo tempo que demonstram ter o poder de aumentar a interação e aproximar quem está longe, rompendo barreiras de comunicação, acabam afastando, inversamente, os mais próximos, devido ao exponencial crescimento do isolamento pela dependência digital.

Os meios tecnológicos criam uma hiper-realidade (representações artificiais) desencadeando uma alienação a partir da substituição da realidade por simulações, onde o “real” é dissolvido em construções artificiais (Baudrillard, 1981). Nessa dinâmica de interações digitais e da virtualização das relações, o real é distorcido pela velocidade das transformações tecnológicas, transformando a percepção da realidade, causando certa desconexão e superficialidade (Virilio, 1990).

Veja abaixo, a reportagem sobre Estudos que revelam o assustador impacto da tecnologia nas relações sociais:

DE COSTAS - O smartphone como parede (AJ_Watt/E+/Getty Images)

Extinção e Criação de Empregos

No tocante ao mercado de trabalho, as abordagens contidas nos vídeos analisados apontam apenas dados estatísticos, sem aprofundamento detalhado sobre as áreas mais afetas por essa transformação transacional promovida pelos avanços tecnológicos, principalmente das ferramentas de AI.

Dados coletados pela Universidade de Oxford apontam que cargos nas áreas de educação, saúde, arte, mídia, gestão, negócios e finanças são os que têm maior probabilidade de sobreviver aos avanços na tecnologia.

Já as profissões que não exigem habilidades criativas, sociais e/ou uma capacidade de percepção espacial mais elaborada estarão mais vulneráveis à extinção, normalmente, atividades em áreas como vendas, produção industrial, suporte administrativo, transporte e construção civil.

Veja com detalhes os dados da referida pesquisa na reportagem titulada “Quais profissões serão substituídas pela IA? ” disponibilizada pela Forbes.com.br.

Desenvolvimento de Competências para o Futuro: Requalificação e Educação Continuada

A requalificação da sociedade para essa dinâmica de adaptação a novas posições do mercado de trabalho também deve ser uma preocupação de quem pensa em Educação, em qualquer grau de ensino, desde as primeiras séries escolares até a formação de jovens e adultos, no ensino médio, nas universidades ou em programas de Educação Continuada.

Para os educadores em geral, profissionais e analista de recursos humanos, a leitura do Relatório sobre o Futuro dos Empregos 2023, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, é essencial para se obter um panorama atualizado das implicações e impactos das tecnologias no mercado de trabalho e na economia, bem como das áreas de conhecimento, competências e habilidades que devem protagonizar não só o cenário laboral formal como também iniciativas de empreendedorismo, produtivo e criativo, projetadas para o Futuro.

Reflexos das Tecnologias na Geração Z

Outro aspecto importante a ser considerado tendo em vista, os impactos do uso das tecnologias no comportamento e no desenvolvimento intelectual, que podem afetar o potencial de empregabilidade é o distanciamento da vida real. Identificado na maioria dos jovens da chamada Geração Z, esse distanciamento pode ser explicado em razão da estreita dependência digital presente nas tecnologias de comunicação.

Nascidos entre 1995 e 2010, a Geração Z é composta por jovens que cresceram imersos nos apelos tecnológicos e são considerados os primeiros nativos digitais. Isso quer dizer que cresceram conectados às redes e às inovações digitais. Demonstram habilidades em navegar no mundo digital e utilizam a internet como principal recurso para obter informações e conhecimento.

No entanto, os resultados alcançados por uma geração movida à tecnologia mostram dados surpreendentes registrados já registrados em diversas pesquisas pelo mundo, que sugerem a inabilidade, dessa geração, para muitas situações da vida laboral no mercado de trabalho.

Confira as reportagens selecionadas abaixo:

A geração Z, formada por jovens de até 26 anos, tem múltiplas aptidões no mundo digital. Mas o que sobra em habilidades nas tecnologias, as vezes falta na interação com as pessoas e com as responsabilidades.

(Jornalismo TV Cultura – 05/MAR/2024)

“Um jovem sozinho, trancado no quarto com um celular, mas ao mesmo tempo conectado online com uma infinidade de ideias, vídeos, pessoas, assuntos e cultura. Essa é a representação dela: a Geração Z…”

(Jornalismo TV Cultura – 28/OUT/2024)

Mesmo assim, é preciso lançar um olhar isento e afastado de estereótipos para que seja possível entender as razões dessa baixa aceitação no mercado de trabalho e do comportamento desses jovens no mundo coorporativo.

Questões motivacionais, falhas de comunicação e outras aspirações pessoais podem ajudar a entender esse comportamento e ajudar a adaptabilidade desses jovens, ou orientá-los na busca por caminhos alternativos que possam oportunizar o aproveitamento de seus potenciais, como por exemplo: o empreendedorismo.

Nesse sentido, a Forbes publicou em 24/10/2024, uma artigo sobre os motivos que explicam o porquê da Geração Z ser demitida das empresas. Vale a pena conferir.

Vamos pensar sob uma perspectiva educativa?…

Quais programas de qualificação fomentar?

Como construir um ambiente propício ao desenvolvimento de competências e habilidades pensadas para o mercado de trabalho do presente e do futuro?

Como criar oportunidades para antecipar e simular experiências laborais durante a formação do jovem para facilitar escolhas e adaptações profissionais?

Como pensar no empreendedorismo como um conteúdo atitudinal no processo educativo de jovens e adultos?

IV – Educação como bem comum

Por fim, chegamos ao ponto crucial de todas as reflexões fomentadas a partir dos temas ora apresentados: a Educação pensada para todos, inclusiva e democrática, para além de conteúdos propedêuticos, viva enquanto célula pulsante da própria sociedade que ajuda a construir.

Em termos educacionais a modernidade traz consigo mudanças e transformações tecnológicas quase impossíveis de acompanhar. Nesse sentido é preciso repensar processos, investir na formação e principalmente na valorização dos profissionais de Educação, docentes e pesquisadores que vivenciam experiências educacionais todos os dias, sob uma perspectiva de quem educa para a sociedade, para a vida e para o mundo.

Para encerrar essa reflexão, deixo um trecho do filme “Admission”.

O Filme, tem como protagonista, uma profissional de Educação dedicada à seleção jovens para uma renomada Universidade americana. O trecho selecionado monstra o contraponto entre grupos de jovens com interesses distintos, sinalizando a existência de tipos de educação tradicionais e alternativas e o confronto de ideias sobre: Onde aprender… ? O quê aprender… ? Como aprender…? E para quê aprender?

Trecho do Filme: Admission com Tina Fey and Paul Rudd . Fonte: Universal Pictures All-Access (Youtube)

Referências:

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(Por Andréa Veiga)

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Os artigos e conteúdos postados aqui são dedicados a compartilhar as experiências, estudos e demandas acadêmicas durante o Curso de Mestrado em Pedagogia do e-Learning, no qual sigo como aluna.

Nesse espaço, eu convido você a fazer parte dessa jornada de aprendizagem e descobertas no campo da educação e-Learning e suas áreas correlatas.

Convicta de que a aprendizagem é um processo em constante evolução, permaneço tal qual um aprendiz: ávido pelo saber e consciente que sempre haverá algo a descobrir e a aprender!

Dessa forma, deixo com você meu pensamento de todo dia… Principalmente, para a vida acadêmica, inspirado na filosofia educadora de Paulo Freire:

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