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UC – Ambientes Virtuais de Aprendizagem

Este espaço está destinado ao compartilhamento das atividades, estudos e projetos a serem desenvolvidos na Unidade Curricular (UC) “Ambientes Virtuais de Aprendizagem”, sob a orientação e supervisão do Prof. Dr. José António Moreira.

GIF by Andréa Veiga (Canvas.com – com composição de imagen da Plataforma Aberta-UAb

O primeiro tema abordado nesta UC faz um convite à reflexão sobre fatores necessários à compreensão do cenário educacional contemporâneo vivenciado na era híbrida, onde as inovações tecnológicas promovem uma educação disruptiva, traduzida na flexibilidade e fluidez dos espaços e tempos de aprendizagem, na integração de diversas metodologias e ferramentas, bem como, na expansão das fronteiras educacionais para além da sala de aula tradicional.

Ao longo deste post, algumas questões-chave são colocadas para conduzir o exercício reflexivo ao tema proposto e, ao mesmo tempo, oportunizar espaços para exploração de temas correlatos que possam contribuir para a ampliação dos conceitos “disruptivos” discutidos.

O que é um Ecossistema de Educação Digital?

Ecossistema de Educação Digital pode ser descrito como um sistema vivo e cognitivo, que integra diferentes ecologias, não se limitando apenas às interações humanas. Ele se forma a partir da interconexão de atores humanos e não humanos, incluindo plataformas, interfaces, mídias e outras tecnologias. Nesse contexto, a inovação e a aprendizagem emergem de um processo reticular e conectado, onde o conhecimento não é apenas transferido, mas cocriado e transformado pela interação de múltiplos elementos, sendo esse processo contínuo e dinâmico (Schlemmer et al., 2020).

Para compreender a amplitude e a essência do conceito de Ecossistema Digital de Educação, precisamos romper com as limitações que nos remetem à visão dos ambientes tradicionais de aprendizagem…

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Habitantes dos Ecossistemas de Educação Digital

Fazendo uma análise paralela com o vídeo “Era Híbrida: Educação Disruptiva e Ambientes de Aprendizagem” (Moreira, 2020), podemos inferir quem seriam os seus “habitantes” humanos e não humanos a partir da discussão sobre a “era híbrida” e a “educação híbrida”, extraindo os mesmos atores apontados no Plano de Ação para a Educação Digital (2021-2027), como Habitantes Humanos (estudantes, professores, instituições) e Habitantes Não Humanos (ferramentas digitais e analógicas, bem como espaços de aprendizagem híbridos).

Com base nesse Plano, os “habitantes” humanos e não humanos do Ecossistema de Educação Digital podem ser identificados da seguinte forma:

Habitantes Humanos

Comunidade educativa (professores e estudantes), sendo estes os participantes diretos no processo de ensino e aprendizagem digital; os decisores políticos a nível nacional, da União Europeia (UE) e internacional, responsáveis por definir as políticas e as estratégias para a educação digital; além do meio acadêmico e de pesquisadores.

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Adicionalmente, podemos incluir a esses exemplos: produtores e consumidores de conteúdo; navegantes da internet; comunidades de debate; cidadãos; usuários finais de tecnologias analíticas; atores diversos como instituições, governos e empresas; nações e pessoas em um contexto ciberfísico global (Schlemmer et al., 2020).

Habitantes Não Humanos

A partir do contexto da transformação digital na educação e do uso de tecnologias, podemos inferir que os habitantes não humanos se referem, principalmente, aos elementos digitais e tecnológicos que compõem esses ecossistemas.

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Enquadram-se na classificação de habitantes não humanos as tecnologias digitais em geral (recursos de conectividade, inteligência artificial, Plataformas, etc.), além dos conteúdos da educação digital (Plano de Ação para a Educação Digital, 2021-2027).
Somados a esses exemplos, podemos citar mais especificamente: a Internet das Coisas (IoT), Big Data; o Learning Analytics e o Deep Learning; Realidade Virtual, Realidade Aumentada e Realidade Mista; Dispositivos Holográficos; Tecnologia Blockchain; Assistentes Virtuais como Siri, Alexa, Bixby ou Google Assistant, aplicativos diversos, jogos e processos gamificados, etc., dentre tantos outros que configurem elementos ou dispositivos que possam se conectar ao ciberespaço (Schlemmer et al., 2020).

Como se pode desenvolver um Ecossistema de Educação Digital?

No que concerne ao desenvolvimento de um Ecossistema de Educação Digital, precisamos admitir tratar-se de um processo multifacetado e complexo que requer, além de colaboração entre os “atores”, desenvolvimento de recursos digitais de qualidade; investimento em infraestrutura e conectividade; planejamento estratégico nas instituições de ensino; e consideração de aspectos éticos (Plano de Ação para a Educação Digital, 2021-2027).
Portanto, desenvolver um Ecossistema de Educação Digital envolve uma abordagem holística que leve em conta a interligação de teorias, tecnologias, atores e práticas pedagógicas, com o objetivo de criar um ambiente de aprendizado dinâmico, inovador e adaptado à realidade da transformação digital (Schlemmer et al., 2020).

Quais espaços podem ser criados …

Espaços formais e não formais de aprendizagem em ambientes conectados, podem caracterizar Ecossistemas de Educação Digital.

Exemplos de Espaços de aprendizagem Formais

Open University (Universidade Aberta do Reino Unido) – Ecossistema de Aprendizagem Virtual
A missão da OU de ser aberta a pessoas, lugares, métodos e ideias se alinha com a natureza acessível e diversificada de um ecossistema digital.

A variedade de cursos em diferentes níveis (licenciatura e pós-graduação), juntamente com o acesso a informações, suporte e interação, sugere um ambiente digital abrangente onde vários componentes interagem para facilitar a aprendizagem, características de um ecossistema digital de aprendizagem.

Dê um “click” para visitar o site da instituição e ver o vídeo institucional “O futuro está aberto” e conheça um pouco mais desse ecossistema!

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Khan Academy – Ecossistema Digital para Aprendizagem Personalizada
A Khan Academy é um ecossistema digital de aprendizagem que disponibiliza conteúdos educacionais gratuitos em diversas disciplinas. Ela utiliza inteligência artificial e análise de dados para personalizar o ensino, adaptando-se ao ritmo e às necessidades individuais dos alunos. A plataforma também promove a gamificação e a interatividade no aprendizado (Khan, 2012).

A combinação de conteúdo abrangente, ferramentas para alunos e professores, elementos de aprendizado socioemocional, inteligência integrada, estrutura de conhecimento interconectada e alcance global faz do Khan Academy uma instituição que funciona como um ecossistema de educação digital, onde diversos componentes interagem para apoiar o processo de ensino e aprendizagem. Click na imagem ao lado para acessar o vídeo institucional.

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Exemplos de Espaços de Aprendizagem Não Formais

Comunidades Virtuais criadas para fins de aprendizagem em determinadas áreas de conhecimento, como a aprendizagem de idiomas, por exemplo, por canais conectados com plataformas e redes sociais (Instagram, YouTube, Facebook), onde participam estudantes, pessoas leigas e profissionais ou pessoas com experiência nas respectivas áreas de conhecimento.

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A importância de ecossistemas de educação digitais informais reside na sua capacidade de oferecer aprendizagem flexível, desterritorializada e multimodal, fomentando conexões significativas entre aprendizes e recursos, e promovendo a exploração e a inovação em áreas de interesse pessoal.

Esses ecossistemas se identificam com a natureza autodirigida e social da aprendizagem informal, potencializando o desenvolvimento de conhecimentos e habilidades de maneira engajadora e relevante para os indivíduos.

Quais Configurações um Ecossistema Digital pode assumir?

Um ecossistema de educação digital pode assumir uma configuração híbrida, combinando elementos presenciais e digitais no processo de ensino e aprendizagem. Essa hibridização se manifesta também na multimodalidade, integrando diferentes mídias e linguagens. A coexistência nesses espaços híbridos e multimodais é uma característica central.

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Segundo Schlemmer, Morgado e Moreira (2020), a partir de uma interpretação da transformação digital na Educação como “um deslocamento disruptivo em um espaço-tempo de interações ecossistêmicas de inovação, que ocorre em contextos híbridos e multimodais”, é possível construir uma perspectiva aberta para algumas configurações que um ecossistema de educação digital pode assumir.

Dessa forma, as configurações de um ecossistema de educação digital podem variar amplamente, sendo influenciadas pela combinação e ênfase em aspectos como a hibridização das modalidades, a integração de múltiplas mídias e tecnologias (multimodalidade), o fomento de epistemologias reticulares e a intencionalidade de promover a inovação nos processos de ensino e aprendizagem.

Portanto, um ecossistema de educação digital pode assumir configurações híbridas e multimodais, operando em um “espaço atópico” através de “interações dinâmicas e cognitivas” entre diversos elementos, com o objetivo de promover a inovação e a aprendizagem em rede, fundamentada em “epistemologias reticulares”, onde implica esclarecer os aspectos explorados por Schlemmer, Morgado e Moreira (2020):

  • Espaço atópico: A noção de “habitar atópico” sugere que os ecossistemas digitais de educação podem configurar-se de maneira desterritorializada, não estando fixos em um lugar físico específico. As interações podem ocorrer em espaços digitais, transcendendo as limitações geográficas.
  • Interações dinâmicas e cognitivas: A transformação digital na educação é compreendida como um processo de interações ecossistêmicas de inovação. Isso sugere que um ecossistema de educação digital se configura através da conexão e colaboração entre diferentes atores, recursos e tecnologias, visando a inovação nos processos de ensino e aprendizagem. Sendo assim, as interações dinâmicas entre os habitantes humanos e não humanos, dentro desses contextos, moldam as configurações específicas que um ecossistema de educação digital pode assumir.
  • Epistemologias Reticulares: Essa perspectiva implica que o conhecimento e a aprendizagem se configuram em rede, através de conexões e interações múltiplas, em vez de modelos lineares ou hierárquicos. As configurações de um ecossistema digital estariam, portanto, alinhadas com essa lógica de rede.

Desafios para a construção de um ambiente de aprendizagem

Considerando o contexto dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem, tendo por referência o vídeo “Era Híbrida, Educação Disruptiva e Ambientes de Aprendizagem” (Moreira, 2020) é possivel observar que a construção de um ambiente de aprendizagem – que considere os novos espaços e ecossistemas de educação digital e a abrangência de suas possibilidades e dinâmicas integradas – enfrenta diversos desafios…

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Sobre esses desafios, Schlemmer, Morgado e Moreira (2020) destacam:

  • Revisão das bases epistemológicas e teóricas da aprendizagem para se adequarem à lógica das redes e da digitalização.
  • Design pedagógico de experiências de aprendizagem híbridas e multimodais que sejam eficazes e engajadoras.
  • Gestão da complexidade e da dinamicidade dos ecossistemas digitais, incluindo a curadoria de recursos e a integração de diferentes ecologias.
  • Necessidade de inovação e adaptação contínuas diante das rápidas transformações tecnológicas.

Mais especificamente esses desafios podem ser desdobrados nas seguintes ações (Moreira, 2020):

  • Superar a visão restrita da educação híbrida como mera combinação de modalidades.
  • Integrar metodologias ativas e tradicionais de forma coordenada.
  • Promover o diálogo entre ferramentas digitais e analógicas.
  • Gerenciar e aproveitar os espaços de aprendizagem fluidos e expandidos para além da sala de aula.
  • Adaptar-se à natureza contínua da aprendizagem facilitada pela tecnologia digital.

Ampliando conceitos

Os debates decorridos durante a fase de exposição das reflexões sobre a complexidade dos ecossistemas de educação digital, outros conceitos foram sendo desmistificados, ampliados e contextualizados, como veremos a seguir, sobre a compreensão do papel das tecnologias na sociedade contemporânea e que impactam a educação.

Dimensão do significado de Tecnologia

De acordo com Floridi (2015), as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) não são meras ferramentas, mas sim forças sociais que estão a afetar cada vez mais a nossa auto-conceição, as nossas interações sociais, a nossa conceção da realidade e as nossas interações com a realidade. Esta caracterização implica que a tecnologia, na forma de TICs, possui uma influência ativa e transformadora na sociedade e na própria condição humana, indo além de uma simples função instrumental.

Na sociedade hiperconectada, o desenvolvimento e a utilização generalizada das TICs têm um impacto radical na condição humana. Nesse aspecto, o autor aponta quatro grandes transformações impulsionadas pelas TICs:

  • O esvanecimento da distinção entre realidade e virtualidade;
  • O esbatimento da distinção entre humano, máquina e natureza;
  • A inversão da escassez de informação para a abundância de informação; e
  • A mudança da primazia de coisas autónomas, propriedades e relações binárias, para a primazia de interações, processos e redes.

Nesse sentido, as tecnologias são resignificadas, principalmente, através das lentes das TICs, enfatizando seu papel como forças sociais transformadoras com significado ético, legal e político, que exigem uma reavaliação dos nossos quadros conceituais e políticas em um mundo hiperconectado.

Nesse contexto, o “digital” deve ser pensado como um hábito, onde transitamos e interagimos com a realidade que nos circunda.

Dessa forma, as tecnologias, hiperconectividade e seus efeitos no mundo contemporâneo devem ser concebidas para além da instrumentalização de seus recursos, onde experiências e vivências, relações de todas as ordens, são construídas e influenciadas pelas TICs que transformaram drasticamente as dinâmicas de trabalho, o consumo e a produção de conhecimento, bem como a percepção do mundo, suas realidades e fenômenos.

Dentro dessa perspectiva, a educação deve apropriar-se dessa hiperconectividade e seus ambientes educomunicacionais para desenvolver práticas mais integradas e conectadas com as experiências e vivências da sociedade da informação.

A fim de ilustrar ludicamente esses impactos, deixo a seguir duas charges do arionaurocartuns.com.br:

Referências

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Jornada e-Learning

(Por Andréa Veiga)

Serei sua anfitriã neste percurso!

Os artigos e conteúdos postados aqui são dedicados a compartilhar as experiências, estudos e demandas acadêmicas durante o Curso de Mestrado em Pedagogia do e-Learning, no qual sigo como aluna.

Nesse espaço, eu convido você a fazer parte dessa jornada de aprendizagem e descobertas no campo da educação e-Learning e suas áreas correlatas.

Convicta de que a aprendizagem é um processo em constante evolução, permaneço tal qual um aprendiz: ávido pelo saber e consciente que sempre haverá algo a descobrir e a aprender!

Dessa forma, deixo com você meu pensamento de todo dia… Principalmente, para a vida acadêmica, inspirado na filosofia educadora de Paulo Freire:

“O conhecimento esvazia-se em si mesmo quando não é compartilhado”

Então? Vamos aprender juntos?

Espero por você!

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