
Considerando as constantes transformações da sociedade moderna, verifica-se que os avanços das Tecnologias da Informação e Comunicação Digitais (TICD) têm influenciado profundamente o comportamento dos indivíduos, atuando como mola propulsora de uma verdadeira revolução comportamental, cujos elementos de difusão de informação tornaram-se itens indispensáveis e indissociáveis na rotina do indivíduo contemporâneo.
A partir do uso dessas tecnologias de comunicação, a sociedade estabelece, permanentemente, interconexões com diversos conteúdos, segmentos e serviços, transformando o modo como interage e percebe a realidade do mundo a sua volta (Baudrillard, 1981).
Nesse sentido, observa-se que essa dinâmica de conexões não oferece, na mesma proporção e velocidade, mecanismos para equilibrar e guiar o comportamento dos usuários nas práticas digitais e no uso ético das tecnologias de comunicação, criando um ambiente propício a violações de direitos, que impactam as relações interpessoais e institucionais, gerando consequências negativas sociais, econômicas e políticas.
Dessa forma, ao considerar a educação a médio e longo prazo, há uma necessidade de processos educacionais impactantes que promovam, em meio ao caos informativo das redes, uma mudança comportamental gradual. Isso pode ser feito por meio da criação de programas didáticos que difundam boas práticas digitais e desenvolvam a competência informacional (Campello, 2002), visando uma nova consciência digital permanente.
Nesse contexto, a modalidade EAD destaca-se por suas potenciais características, favorecendo uma abordagem abrangente e multidisciplinar.

Sendo assim, considerando os aspectos abordados, será apresentada a seguir uma proposta de caráter educativo, desenvolvida no âmbito da Unidade Curricular “Materiais e Recursos para e-Learning”:
Proposta
Criação de um Programa Multidisciplinar para promover a “Consciência Cibernética”, com Módulos de EAD em Recursos Educacionais Abertos (REA), focando na competência informacional, ética e segurança digital, através de metodologias ativas que analisam situações práticas e incentivam mudanças de comportamentais.
Motivação
A motivação da presente proposta decorre do rápido avanço tecnológico e da aderência maciça da sociedade aos apelos das inovações tecnológicas dos recursos de comunicação digital, mídias e redes, os quais, não obstante os aspectos positivos, possuem potencial para gerar conflitos, violação de direitos e decorrentes desdobramentos com impactos nocivos em diversos aspectos da sociedade contemporânea.
Propósito
O presente trabalho tem o objetivo de fomentar a divulgação e disseminação de boas práticas digitais e o desenvolvimento da competência informativa, em caráter formativo, no âmbito das instituições de ensino.
Justificativa
A proposta de criar um Programa Multidisciplinar de “Desenvolvimento de Consciência Cibernética” surge da necessidade de ensinar as pessoas a usarem o ambiente digital de maneira ética e responsável. O programa prevê o uso de métodos de aprendizagem ativa e foca em situações da vida real, buscando não só informar, mas também conscientizar os participantes sobre a importância de mudar comportamentos e encontrar soluções para os desafios do mundo conectado.
Esse programa é especialmente importante nas escolas, pois os jovens são os maiores usuários de tecnologias digitais e enfrentam os efeitos diretos das interações online.
Ao desenvolver habilidades digitais e de informação, o programa pretende preparar as novas gerações para serem mais conscientes, colaborativas e criativas no ambiente digital, ajudando a construir uma sociedade mais ética e segura.
Níveis de Abrangência
A proposta visa promover a inclusão dos Módulos EAD com conteúdos que desenvolvem a competência informacional em todos os níveis de ensino (Fundamental, Médio e Superior), incluindo Programas de Educação Continuada. Essa inclusão será facilitada pela flexibilidade do EAD, evitando prejuízos aos currículos existentes.
Público-alvo
Adolescentes, Jovens e Adultos
Competências a Desenvolver

Eixos Temáticos

Módulos EAD: Critérios para a Construção dos REA
Com o objetivo de tirar proveito das vantagens de uma abordagem multidisciplinar, optou-se pela combinação estratégica de metodologias ativas (Mattar, 2021) associadas a recursos de interação para o planejamento da construção do REA., considerando um modelo autodirigido de EAD.
Nesse sentido, com o fim de privilegiar a contextualização da aprendizagem, bem como o uso de práticas pedagógicas dinâmicas no ambiente EAD (Moran, 2018), o processo de elaboração dos REA observará os seguintes critérios, baseados na metodologia “Problem Based Learning” Barrows, H. S. (1988), adaptada para o formato a seguir proposto:
Contextualização e Mobilização para Aprendizagem Significativa
Etapa que se destina a esclarecer, ao aluno, a importância da adoção de boas práticas no uso das diversas formas de tecnologias de informação, principalmente quanto à transmissão, compartilhamento e interpretação de informações, bem como ao comportamento socialmente responsável e ético nas redes. Nessa etapa, análises de situações reais, que articulem a vivência concreta da vida profissional e particular, devem orientar a abordagem explícita da competência pretendida (Ausubel, 2003), sempre alinhada aos valores éticos com foco na conscientização e mobilização individual e do grupo.
Definição Didática Detalhada da Proposta de Atividades
Trata-se do referencial central da motivação da aprendizagem, onde a proposta didática da atividade é estabelecida. Neste ponto, sugere-se o envolvimento de todos no enfrentamento de uma situação-problema, que poderá ser proposta na forma de estudo de caso, dinâmica de grupo, dramatização, simulação ou qualquer outra atividade que conduza à reflexão do fato abordado. Essa etapa deve ser conduzida de forma a suscitar a análise crítica de suas implicações, comportamentos, causas e consequências.
Organização das Atividades de Aprendizagem – Abordagem Problematizadora
O planejamento e a condução das atividades propostas devem estar intimamente ligados ao objetivo de que trata a competência a ser desenvolvida. É necessário dedicar uma especial atenção na seleção de um repertório de “situações problemas”, “estudos de casos” ou “situações reais” pertinentes e adequados às questões que se deseja abordar, a fim de suscitar, em cada, indivíduo o estímulo necessário à reflexão (Jonassen, 2011).
Coordenação, Acompanhamento e Mediação
O controle da ação planejada é decisivo para que a condução das atividades seja desenvolvida de forma a favorecer reflexões éticas e comportamentais de todos os participantes, a respeito das questões abordadas. Para a execução dessa fase, são previstos mecanismos e ações para o acompanhamento da atividade de modo que se obtenha um ciclo produtivo e reflexivo de ideias, conclusões e propostas de mudanças comportamentais.
Análise e Avaliação das Atividades de Aprendizagem Ativa, Reflexiva e Pragmática
Nessa fase, os resultados do desenvolvimento das atividades – identificação das causas e consequências de condutas digitais inadequadas e a proposta de ações preventivas discutidas em grupos – devem ser avaliados com base em teorias e normas legais, visando um ajuste de conduta e mudança comportamental.
Referências, Fontes e Suportes Teóricos Adicionais
Este momento do desenvolvimento da competência sobre responsabilidade ética e social no uso das informações digitais é dedicado à produção individual de cada participante. Todos têm a chance de apresentar suas reflexões a partir das discussões realizadas, utilizando recursos como vídeos, textos, exposições orais ou escritas, e relatos de boas práticas digitais.
Síntese e Aplicação – Mudança de comportamento/Consolidação da Aprendizagem
A última fase do desenvolvimento da competência proposta envolve articular e confrontar as próprias referências sobre conduta e práticas digitais com as experiências e situações vividas durante as atividades.
Apresenta-se, como resultado da aprendizagem, uma proposta de mudança de comportamento para cada situação problema, que pode ser vivenciada por cada indivíduo em diferentes momentos de sua rotina, considerando a internalização gradual dos princípios de uma nova postura digital, mais ética e madura.
Licenciamento
Para o objetivo educacional ao qual se destina o REA proposto, optou-se pela licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional, considerando:
Permissão para:
- Compartilhamento — permitido copiar e redistribuir o material em qualquer meio ou formato;
- Adaptação — permitido remixar, transformar e desenvolver o material
Nos seguintes termos:
- Atribuição do crédito apropriado , fornecer um link para a licença e indicar se mudanças foram feitas . Podendo ser feita de qualquer maneira razoável, mas não de nenhuma forma que sugira que o licenciante endossa o usuário ou seu uso.
- Não comercial — não pode usar o material para fins comerciais .
- Compartilhamento pela mesma licença — Caso haja adaptações (ações de remixar, transformar ou criar a partir do material), deverá distribuir suas contribuições sob a mesma licença do original.
- Sem restrições adicionais — Não é permitido termos legais ou medidas tecnológicas que restrinjam legalmente outros de fazer qualquer coisa que a licença permita.
Considerações Finais
Após analisar os argumentos apresentados, é possível apoiar a proposta de integrar os Módulos EAD como REA na formação educacional, visando desenvolver uma consciência cibernética nos diferentes níveis de ensino, proporcionando conhecimentos essenciais para manter um ambiente conectado mais equilibrado, ético e seguro.
Referências:
- Ausubel, D. P. Aquisição e retenção de conhecimentos: uma perspectiva cognitiva. Lisboa: Plátano, 2003. https://pdfcoffee.com/livro-ausubel-pdf-free.html
- Campello, B. (2002). A competência informacional na educação para o século XXI. In: BIBLIOTECA escolar: temas para uma prática pedagógica. Belo Horizonte: Autêntica, 2002. p. 9-11.
- Jonassen, D. H. (2011). Learning to Solve Problems: A Handbook for Designing Problem-Solving Learning Environments. Routledge. https://www.academia.edu/15275211/Learning_to_Solve_Problems_An_Instructional_Design_Guide
- Mattar, J. (2021). METODOLOGIAS ATIVAS EM EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: Revisão de Literatura. Revista Brasileira De Aprendizagem Aberta E a Distância, 2(Especial). https://doi.org/10.17143/rbaad.v2iEspecial.549
- Moran, J. M. (2018). Mudando a educação com metodologias ativas. Formato E-Book: Convergências Midiáticas, Educação e Cidadania: aproximações jovens / organizado por Carlos Alberto de Souza e Ofelia Elisa Torres Morales. Ponta Grossa: UEPG/PROEX, 2015. – 180p. (Mídias Contemporâneas, 2) p. 15-33. ISBN: 978-978-85-63023-14-8.
- Universidade do Porto. Aprendizagem baseada em problemas. Acesso em 18 de janeiro de 2025, de https://www.up.pt/portal/pt/inovacao-educativa/ensino-e-aprendizagem/abordagens/pbl/#:~:text=Refer%C3%AAncias-,Conceito,por%20estarem%20mais%20motivados/as
- Barrows, H. S. (1988). The tutorial process. Southern Illinois University, School of medicine.
- Baudrillard, J. (1981). Simulacros e simulações. Tradução: Maria João da Costa Pereira. Editora Relógio D’agua. 1991.



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